MPT-SC participa de evento no MPF sobre “Direitos, Justiça, Ação para Todas as Mulheres e Meninas”

Encontro reuniu palestrantes com trajetórias diversas e experiências concretas na luta por justiça e equidade

Florianópolis - O auditório do Ministério Público Federal em Santa Catarina (MPF-SC) recebeu nesta quinta-feira (30/03), apoiado pelo Ministério Público do Trabalho em Santa Catarina (MPT-SC), o debate sobre o tema da ONU “Direitos, Justiça, Ação para Todas as Mulheres e Meninas”. O evento foi realizado em alusão ao Dia Internacional das Mulheres de 2026, em conjunto com o Círculos de Hospitalidade.

O encontro reuniu painelistas para tratar de temas sensíveis de discriminação e barreiras patriarcais contra as mulheres. Estiveram na mesa de debates Priscila Freitas, escritora, doutoranda em Educação e integrante do Viva Monte Serrat, iniciativa pioneira do afroturismo em Florianópolis; Amanda Miranda, jornalista e colunista do ICL Notícias, pesquisadora e ativista pelo direito à informação; e Sabado Gomes Dabó, enfermeira, mestre e doutoranda na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e CEO do Gastrobar Africano Okinka. A mesa foi conduzida pela presidente da Organização Círculos de Hospitalidade, Bruna Kadletz.

Procuradora da República Rafaella Alberici do MPF-SC
Procuradora da República Rafaella Alberici do MPF-SC

Na abertura das palestras, a Procuradora da República Rafaella Alberici, coordenadora da Comissão de Equidade de Gênero e Raça do MPF, falou sobre os números de dados alarmantes de feminicídio no Brasil e em Santa Catarina, e como a cultura patriarcal submete meninas e mulheres à culpa e à vitimização de seus corpos. “Mais de quatro mulheres morrem todos os dias no Brasil, vítimas de feminicídio, e os casos de assédio nos atingem de formas silenciadas, sofremos assédio e questionamos onde podemos ter evitado. Debater sobre o tema é urgente!”.

Não existe cultura, existe violência

A pesquisadora Sabado Gomes Dabó, mulher Guineense, falou da visão cultural do seu país, sobre os tipos de violência ainda direcionados aos corpos femininos, como a mutilação genital feminina, que submete meninas a uma violência de gênero e traz problemáticas para saúde das mulheres. Falou também do apagamento histórico de mulheres guineenses que estiveram na linha de frente contra a invasão colonizadora. “Uma das dificuldades em meu país, que aqui também é presente, é a falta de dados catalogados de violência contra as mulheres, para que sejam realizadas mudanças culturais e educacionais”.

Nossos passos vêm de muito longe

Filha do Monte Serrat, ativista, escritora e afroturista, Priscila Freitas abordou sobre diversos projetos realizados pela iniciativa “Programa Viva o Monte Serrat - Afroturismo e Turismo de Base Comunitária”, da qual faz parte no Maciço do Morro da Cruz. “São ações que unem o asfalto à comunidade, apresentando sua cultura viva, sua resistência e identidade”. São elas, o Caminho do Samba, Caminho da Negritude e Caminho das Lavadeiras, que apresentam locais importantes da comunidade e sobre a cultura da rica herança cultural afro-brasileira e de resistência das mulheres negras de Florianópolis.

Durante sua palestra, Priscila apresentou seus dois livros infantis: “Lava, lavadeira na pedra da cachoeira” e “Orocongo do menino gentil”, neles costura com sensibilidade as memórias da sua comunidade e de sua ancestralidade. “O Monte Serrat, conhecido também como Morro da Caixa é marcado pelo protagonismo das mulheres negras, lavadeiras, domésticas, educadoras e mães, um território que guarda histórias de resistência e cuidado”.

Educar a população dos lugares que não se vê

“Fazer Jornalismo é mostrar que a realidade não é neutra”. A frase dita pela ativista, jornalista e pesquisadora Amanda Miranda, abriu um questionamento sobre o poder do Jornalismo em noticiar sem neutralidade. Segundo Amanda, um jornalismo “descomprometido” com a realidade favorece apenas o status quo e não encontra pontos de ruptura com a cultura de ódio às mulheres. “O Jornalismo deve ser parceiro dos órgãos de controle e de justiça, ainda, ter protocolos para que suas narrativas não naturalizem os crimes contra as mulheres”, enfatizou.

O encontro foi finalizado com um debate entre palestrantes e público presente, e encerrou com um coffee break intercultural no auditório do MPT-SC e a entrega dos itens de higiene pessoal” arrecados durante o mês de março pelo MPF e MPT.

Café intercultural
Café intercultural

Os donativos foram destinados às mulheres migrantes atendidas pelo Círculo de Hospitalidade (integrante do Fórum de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, ao Trabalho Escravo e de Proteção ao Migrante de Santa Catarina - FETPSC).

Confira como foi o evento na transmissão pelo Canal do YouTube do MPF-SC.

Fonte: Assessoria de Comunicação MPT-SC

(48) 3215-9913/ 98835-5654/ 99961-2861

Publicado em 31/03/2026

 

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