Comitê de Equidade do MPT-SC participa de debate sobre diversidade no TRT-SC
O respeito à diversidade sem rotulações foi um dos pontos destacados pelo servidor do MPT-SC, João Agostinho de Oliveira Filho, em sua palestra
Florianópolis - “Tudo é sobre respeito.” Foi a partir dessa ideia que o integrante do Comitê de Equidade de Gênero, Raça e Diversidade do Ministério Público do Trabalho em Santa Catarina (MPT-SC), o analista judiciário João Agostinho de Oliveira Filho abordou as relações entre gênero, raça e sexualidade, durante o evento “Para além das diferenças: Diálogos sobre diversidade” no Tribunal Regional do Trabalho da 12ª região (TRT-SC), nesta quarta-feira (30/09). A iniciativa foi promovida pelo Programa de Equidade de Raça, Gênero e Diversidade (PED), em parceria com a Escola Judicial do Tribunal.
Além da palestra do MPT-SC, o evento contou com a participação da Ativista e assessora de políticas públicas LGBTQIAPN+ da Prefeitura de Florianópolis, Selma Light, mulher trans e presidente do Conselho de Direitos LGBTQIAPN+ da capital catarinense.
Do MPT-SC, estiveram presentes, o Procurador Regional do Trabalho e coordenador do Comitê de Equidade do MPT-SC, Rosivaldo da Cunha Oliveira, e os servidores e servidoras da instituição, Patrícia Fernandes, Luiz Gustavo Parfieniuk Neves, Flávia Philippi Füllgraf e Felipe Uliano da Silva.
Na fala de abertura, o coordenador do Comitê de Equidade do TRT-SC, desembargador Hélio Bastida Lopes, disse que a sociedade está iniciando um processo de inclusão mais efetivo, saindo do campo teórico para o prático.
Em relação ao papel da Justiça do Trabalho, afirmou que, além de distribuir Justiça, a busca incessante por justiça social, inclusão e igualdade é o que deve realmente estar em primeiro plano.
Por que rotular?
João destacou que todas as pessoas têm o direito de ocupar todos os espaços, mas ainda existe uma pressão da sociedade, muitas vezes em tom de crítica, que leva à necessidade de rótulos. “Por que isso? Nós somos seres humanos como todos os outros”, questionou.

Ao falar sobre raça, João enfatizou que o privilégio é um lugar no qual a pessoa branca já nasce, enquanto a pessoa negra precisa conseguir entrar. Também abordou a forma como o corpo negro foi historicamente tratado como propriedade e mercadoria, citando a psicanalista Isildinha Baptista Nogueira, para quem o corpo da mulher negra é marcado pelas heranças da escravidão no Brasil. Segundo o palestrante, a sociedade foi construída a partir de um conceito de família que não considerou a estrutura familiar negra. “Ninguém é melhor que ninguém”, finalizou.

A inclusão no trabalho não termina na contratação
Ela passa pela forma como colegas, chefias e empresas respondem a situações de preconceito e garantem espaço para que cada pessoa possa ser quem é. A reflexão foi apresentada por Selma Light, que falou a partir de experiências pessoais e de sua atuação na formulação de políticas públicas.

A ativista relatou que é comum pessoas LGBTQIAPN+ precisarem esconder relacionamentos, controlar a própria aparência ou evitar falar sobre a vida pessoal para não se tornarem alvo de comentários e discriminação.
É nesse ponto que, para a palestrante, aparece uma responsabilidade essencial do empregador: não ser indiferente diante da discriminação. Se um cliente desrespeita um trabalhador LGBTQIAPN+, por exemplo, a empresa não deve simplesmente considerar que “o cliente tem razão”. É preciso reconhecer o ocorrido, intervir e proteger o empregado. “O mundo já é diverso, o que ainda precisamos construir é um mundo que respeite essa diversidade”, destacou.
Encerramento
Ao final, foi realizada uma roda de conversa que contou com a participação de Selma Light, João Agostinho, do desembargador Hélio Bastida, do juiz do TRT-SC Armando Luiz Zilli e da representante da ONG Mães pela Diversidade, Maria do Carmo Amorim Vieira.

O evento encerrou com a inauguração da Sala Multiuso do Tribunal Pleno a exposição “Amor, Respeito e Expressões de Diversidade”, organizada pelo Atelier Smith. De acordo com o texto de apresentação, as obras consistem em impressões fotográficas enriquecidas por aquarela e técnicas mistas, criando um diálogo visual que transcende as barreiras da percepção.
“A exposição não é apenas uma mostra de arte, mas sim um ato de resistência e afirmação. Ela busca engajar o público em discussões sobre raça, gênero e diversidade, incentivando a construção de um ambiente mais inclusivo”, afirmou o desembargador Hélio Bastida, um dos autores.
Fonte: Secretaria de Comunicação Social do TRT-SC (Carlos Nogueira e Priscila Tavares)
Adaptação e reprodução: Assessoria de Comunicação MPT-SC
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Publicado em 01/10/2026